Taipé responde a Trump: "Taiwan é uma nação democrática, soberana e independente"

Taipé responde a Trump: "Taiwan é uma nação democrática, soberana e independente"

Taiwan reiterou que é uma nação "independente" e que o acordo de venda de armas feito com os Estados Unidos integra compromissos de segurança.

RTP /
Foto: Stephen Nellis - Reuters

O Governo de Taiwan afirmou este sábado que a ilha "é uma nação (...) independente", em resposta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que garantiu não estar a incentivar Taipé a declarar independência.

"Taiwan é uma nação democrática, soberana e independente, que não está subordinada à República Popular da China"
, declarou em comunicado a diplomacia taiwanesa, acrescentando que a política de Washington continua inalterada.

Na sexta-feira, Donald Trump referiu que não deseja uma guerra com Pequim por causa de Taiwan.

"Não quero que ninguém se torne independente. E sabe que mais? Será que vamos viajar 15.300 quilómetros para travar uma guerra? Não quero isso", sublinhou o republicano, em entrevista à emissora norte-americana Fox News.

Trump adiantou que falou com o líder chinês, Xi Jinping, sobre Taiwan "durante toda a noite", incluindo a eventual venda de armas norte-americanas a Taipé.

Segundo a agência de notícias estatal chinesa Xinhua, Xi terá avisado o líder norte-americano de que a "má gestão" da questão pode levar a China e os Estados Unidos a um confronto ou mesmo a um ataque.

Trump afirmou que ainda não tomou uma decisão sobre a venda de armamento a Taiwan, uma medida fortemente criticada por Pequim, acrescentando que deverá decidir "em breve".

China pede medidas concretas

O chefe de Estado norte-americano recusou-se, porém, a esclarecer se os Estados Unidos defenderiam militarmente Taiwan em caso de conflito com a China.

"Isto é algo que só uma pessoa sabe: eu", disse Trump, revelando que Xi lhe colocou diretamente essa questão durante as conversações em Pequim.

"Ele perguntou-me, e eu disse que não falo sobre isso", referiu Trump.

"Em relação à venda de armas entre Taiwan e os Estados Unidos, este não é apenas um compromisso dos Estados Unidos com a segurança de Taiwan, como claramente estipulado na Lei das Relações com Taiwan, mas também uma forma de dissuasão conjunta contra ameaças regionais", insistiu o ministério dos Negócios Estrangeiros taiwanês.

Também na sexta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, defendeu que os EUA compreendem a posição de Pequim, mas pediu a Washington "medidas concretas" para garantir a paz.

Há mais de sete décadas que os Estados Unidos são um ator central no contexto das disputas entre as Pequim e Taipé, sendo que Washington está legalmente comprometida a fornecer a Taiwan os meios necessários para a sua autodefesa e, embora não mantenha laços diplomáticos com a ilha, poderia defendê-la em caso de conflito com a China.

Pequim considera Taiwan uma província rebelde e uma "parte inalienável" do território chinês, pelo que não descartou o uso da força para assumir o controlo, algo que o Governo taiwanês condena veementemente.

c/ Lusa

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